sábado, 27 de setembro de 2014

Asfixia de palavras cotidianas

fico correndo das letras
fujo dos vocábulos
mas não tem jeito
está em mim a vontade de escrever
o que não se sabe dizer

e permaneço
na tentativa de juntar
entre vírgulas
versos incompletos
seguidos de reticências
(reticência de nós dois)
a qual sei não conseguir desenhar em linhas

como medir o tamanho do que não se pode dizer?

um verbete talvez bastasse
se o português fosse outro
se a língua fosse outra
mas seria pouco
pequeno espaço para abrigar
contra as leis da física
o olhar o arrepio a união das cores
entre lençóis
a tentativa de escrever
uma palavra
simples
onde caiba...
o sentir.
27/09/2014
18:36

terça-feira, 20 de maio de 2014

Poema sem título ou Reflexão do eu-lírico

[Para Cavalcanti]

o tempo não se deu tempo
ou será que o tempo não precisa de tempo?

sinto os versos se formando
as palavras ressignificando
o que o próprio tempo fez questão de conectar...
(fazendo a vida se encontrar novamente em dias de chuva)

escrevo paráfrases de outros poemas
reinventando a arte da poesia
de infindas interpretações, mas de destino certo
no caminho do eu
do teu eu
personificado nas pobres linhas de um eu-lírico
qualquer
que se joga
procurando chegar
aonde fosse lugar

de morada à dois.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Carta em Tela 20x20

Vi tudo o que queria dizer
mas acabei cegando no silêncio.

Então deixei as palavras se fazerem sozinhas nas cores
e joguei poema em versos aquarelados
como se ouvisse o dedilhar das cordas
e a luz da vela no começo da noite
parecia até que a lua lá fora me abraçava
era a lembrança dos dias de verão nos primeiros anos
cheguei a achar que o mar ainda estava lá...
senti o beijo como uma eternidade de minutos
e as cores foram se fazendo no meio da fumaça
enquanto via aqueles olhos

olhos doces com sabor de vinho
pequenos e dispersos pontos de luz
olhos leves de vendaval
secretos e molhados pontos de chuva
olhos marcados pela madrugada
iluminados e unidos pontos de estrelas.

Vês as estrelas?
Elas sorriem.

domingo, 9 de março de 2014

Gramaticando a despedida

Vou correr
me perdoe, mas vou correr.

Não pense nos porquês
não lembre das interrogações
não coloque vírgulas
siga as reticências
não crie interpretações
faça novos parágrafos
faça outros versos
deixe que as sílabas surjam...

e não esqueça que teve clímax.

sábado, 8 de março de 2014

Metamorfose

das lágrimas
saem
poucas palavras
mas
do sono
saem
novos sonhos
cheios
de palavras

Casulo

vou dar uma pausa no tempo
ou um tempo na pausa

quero sentir o sabor do parênteses
e ficar lá abraçando eles como que para me proteger

sábado, 5 de outubro de 2013

Palavras Soltas

Nos toques que os segundos abarcam e abraçam,
te sei todo decorado...
e no teu colo quero estar.
E por mais que isso seja sonho vão
estou disposto a me arriscar
e colocar fogo nos portões
para que todos se abram
e deixem meu corpo queimar ao passar...
E dessa vida pouca que resta,
mesmo que seja apenas um segundo que reste,
que seja um daqueles sem dor.
Apenas cor... cor do teu abraço.
Cores dos teus passos,
que um dia ainda espero alcançar...